Notícias
Aqui você pode listar notícias e atualidades.
 Localizar   
Compartilhe
Tamanho da fonte



Hassan Massoudy
8/8/2007
Conheça aqui o trabalho de Hassan Massoudy, um dos maiores calígrafos árabes da atualidade. Suas criações são fruto de um encontro entre o passado e o presente, a arte ocidental e oriental, a tradição e a modernidade. Ela perpetua a tradição da caligrafia ao mesmo tempo em que rompe com ela.

Hassan Massoudy nasceu em 1944, em Najef, sul do Iraque. Cresceu em uma sociedade tradicional marcada pelo rigor da religião e pelo calor do deserto, mas também pela alegria coletiva das grandes festas e do espírito de solidariedade. Muito jovem, em uma cidade onde toda imagem era proibida, ele investe sua paixão no desenho e na caligrafia e consagra toda sua energia a procurar papéis e pigmentos. Em 1961, ele parte para Bagdá como aprendiz de diferentes calígrafos. Aprende seu métier, visita exposições de arte moderna e busca fazer estudos artísticos. Preso no turbilhão dos acontecimentos que conduziram seu país a uma ditadura, ele sai do Iraque rumo à França, em 1969.
Vivendo na França até hoje, o artista continua produzindo intensamente. Suas criações são fruto de um encontro entre o passado e o presente, a arte ocidental e oriental, a tradição e a modernidade. Ela perpetua a tradição da caligrafia ao mesmo tempo em que rompe com ela. O conteúdo de seu trabalho baseia-se nos escritos de autores do mundo inteiro, ou mesmo, da sabedoria popular. Sua obra é atravessada por ideais humanistas. Leia aqui, um relato do próprio autor sobre o processo de criação caligráfica:

“A valor da beleza entre os calígrafos clássicos, para transcrever um poema, residia na perfeição do estilo escolhido com as regras e seus códigos conhecidos e reconhecidos por todos. O que o calígrafo podia aportar era a vida da linha que ele traçava. Hoje em dia, para mim, as coisas caminham de forma diferente. Que palavra vai se colocar para ser enaltecida? Eu conto as letras à direita e as curvas a fim de poder lhes proporcionar um ritmo na composição. Eu sonho com as letras. Eu imagino a palavra em diferentes estilos de caligrafia. Eu esboço alguns traços transformando as letras, eu as tiro de lugar, as modifico. Ao mesmo tempo, paira na minha mente a imagem do poeta. Ela é, acima de tudo, um fluxo. Algumas imagens se revelam mais rápido que outras, algumas vezes no primeiro dia, outras depois de meses e meses. Essa lentidão significa que eu ainda não captei o enigma da imagem. Só me resta, portanto, perseverar.
Eu mesmo entalho meus cálamos e fabrico meus instrumentos maiores. Escolho meus papéis, misturo os pigmentos. O instrumento de escrita, o papel e as cores devem viver juntos, mas esta coabitação é raramente harmoniosa no primeiro gesto.
É necessário, portanto, perseverar, ser atento, reler a frase poética, rever as imagens, imaginar outras. Recomeçar lentamente, bem lentamente. Ao invés de olhar as letras, observar a luz que circunda os gestos caligráficos. Continuar, repetir, lutar com a matéria, com este trio tinta-papel-instrumento e a palavra.
Se o ponto de equilíbrio não é atingido, isto é o fracasso, descobrimos nossos próprios limites, a humanidade e fragilidade do ser. A caligrafia pode se transformar em um indicador da ausência de centro, de equilíbrio. Essa experiência se torna a descoberta de si mesmo e talvez da evolução, no instante que nos levantamos para recomeçar.
Quando eu estimo meu gesto preciso, o conflito interior não existe mais, mesmo que isso não dure mais do que alguns instantes. É um momento de alegria onde o alfabeto não é mais o instrumento da escrita ou da razão”.

Glossário
cálamo: instrumento para a escrita, feito de um pedaço de cana ou junco, talhado obliquamente ou afinado na extremidade, utilizado antigamente para escrever em papiros e pergaminhos.

Para conhecer seu trabalho, acesse o link: http://perso.orange.fr/hassan.massoudy/galerie.htm



voltar


Política de privacidade. ©2014. Criação FamilySites.com.br