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Fenícios
História e Sociedade

O que hoje conhecemos como cultura fenícia já ocorria 3 mil anos antes de Cristo no Levante, região litorânea hoje dividida entre Líbano, Síria e Israel. Contudo, foi apenas por volta de 1100 a.C., após um período de colapso social em toda a região, que os fenícios surgiram como uma força cultural e política significativa.

Do século IX ao VI a.C., eles dominaram o mar Mediterrâneo, fundando mercados e colônias desde a ilha de Chipre, mais a leste, até o mar Egeu, Itália, África do Norte, e Espanha, a Oeste. Conseguiram enriquecer comercializando produtos como o azeite de oliva, o vinho, e principalmente a madeira dos cedros libaneses.


1.1 - Cidades e Comércio

Sob a forma de postos comerciais, cidades ou centros urbanos, os estabelecimentos fenícios compartilhavam características comuns. Salvo raras exceções, seus assentamentos eram pequenos e situados próximos a costas navegáveis, posto que, como grandes comerciantes, davam preferência a locais adjacentes a baías naturais, lagoas ou estuários.

O importante porto de Biblos, por exemplo, estava justamente localizado em uma pequena baía. Desse porto advêm as mais antigas informações a respeito dos fenícios, onde os arqueólogos encontraram evidencias de ocupação desde 5000 a.C. Foi em Biblos que, por volta de 3000 a.C., as construções de pedra tomaram o lugar das que eram anteriormente feitas com madeira, e a cidade já se encontrava completamente formada com seus muros, templos e um cuidadoso sistema de drenagem.

Cedro do Líbano. Árvore que foi muito utilizada no comércio fenício e que devido ao seu uso extensivo é hoje rara
na região.
Biblos perdeu, contudo, sua posição de mais importante cidade fenícia após a invasão dos Povos do Mar. Tal episódio aconteceu por vota de 1200 a.C. e marca o fim da Idade de Bronze. Os povos do mar eram tribos provenientes do norte que levaram as primeiras armas de ferro à Grécia. Depois, continuaram sua marcha rumo a Fenícia e a Palestina, que por sua vez, abrigava um grupo conhecido como filisteus. Muitas foram as contribuições dos povos do mar aos fenícios, em especial a transmissão de técnicas de construção de barcos e de navegação. Um exemplo disso é o uso da quilha nas embarcações (um pesado pedaço de madeira fixado ao fundo da nau), que lhes permitiu navegar com grande precisão a despeito da direção e força dos ventos.

Na sucessão de Biblos, cidades mais jovens como Tiro e Sidon ganharam importância. Por volta de 1000 a.C. o rei Hiram, de Tiro, elevou a parte oriental do assentamento com a criação de um aterro artificial, transformando-a em um porto fortificado.

Em Ezequiel (Antigo Testamento, Ezequiel, capítulo 27: 8-25), (CITAR) encontramos comentários das atividades comerciais de Tiro por volta do século VII a.C. De acordo com tais relatos, Tiro mantinha relações comerciais com diferentes localidades da Anatólia, Palestina, Síria, Arábia, etc. De todos esses lugares, a cidade fenícia obtinha prata, ferro, estanho, bronze, marfim, ébano, escravos, cavalos, pérolas e linho em troca de produtos manufaturados.

Os fenícios produziam, aliás, muitos artigos luxuosos, dos quais o mais famoso era o tecido púrpura, somente usado pelas camadas mais privilegiadas da população. Tal uso restrito se deve ao complexo processo de tingimento que utilizava glândulas de milhares de moluscos chamados múrex para a produção de apenas uma peça. Dependendo da quantidade de liquido usada, e da quantidade de tempo em que o tecido era deixado ao sol, sua cor variava de um rosa suave a um forte tom de violeta.


1.2 - A presença assíria e as inovações da navegação e da engenharia

Os assírios adentraram na Fenícia por volta de 877 a.C. e lá permaneceram até 612 a.C. quando o Império Assírio foi destruído pelos babilônios.

Mapa das rotas fenícias
No período em que ficaram sob tal controle, os fenícios tiveram seus territórios anexados ao império assírio que exigia um pagamento tributário, mas permitia, por sua vez, um governo livre do mando estrangeiro. Assim, a despeito da dominação assíria, as cidades fenícias continuaram a prosperar.

De acordo com o historiador grego Heródoto, após o declínio da presença assíria, o faraó egípcio Necho II, demandou aos navegadores fenícios uma viagem ao redor da África. A rota seguida deveria partir do Mar Morto, na direção sul em volta do Cabo da Boa Esperança para então retornar ao Mediterrâneo. A realização de um tipo de viagem como esta demonstra o alto grau de sofisticação nas técnicas de navegação fenícias, muito avançadas para a época. Também nesse período, com o auxílio de engenheiros fenícios, o mesmo faraó egípcio Necho II iniciou a construção de um canal que ligaria o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. Completado após a morte do faraó, o canal continuou sendo utilizado até o século VIII d.C., quando o nível do mar baixou, fazendo com que a passagem ficasse lamacenta e impossibilitada de navegação. O atual canal de Suez, corresponde à referida obra de engenharia, e só foi reconstruído cerca de mil anos depois.


1.3 - Da dominação persa à chegada do exército de Alexandre, o Grande

Por volta de 539 a.C. o governante persa Cyrus II conquistou a Babilônia e a Fenícia ficou sob seu controle. Contudo, tal episódio não teve graves conseqüências às cidades fenícias, acostumadas, ao longo de muito tempo, ao domínio estrangeiro, fosse ele egípcio, assírio, babilônio ou persa. Isso se deve, como já foi afirmado anteriormente, ao fato de que a força e prosperidade dessas cidades se encontrava principalmente no domínio do mar e do comércio no Mediterrâneo.

Quando as cidades gregas da Ásia Menor se rebelaram contra o governante persa Darius I iniciou-se uma série de guerras entre persas e gregos. Isso levou as cidades fenícias a exercerem compulsoriamente um papel de apoio aos persas. Foi assim que os fenícios cederam seus navios às batalhas, perdendo grande parte de sua frota e, consequentemente, o controle do mar.

Em 352 a.C., contudo, as cidades fenícias – lideradas por Sidon – decidiram se rebelar contra o controle persa. Artaxerxes, governante persa na época, reagiu rapidamente e marchou em direção a Sidon. Grande parte da cidade foi queimada e as outras cidades foram novamente incorporadas ao império Persa. Embora preservassem sua autonomia, os fenícios jamais foram capazes de recobrar o domínio marítimo no Mediterrâneo, que já contava agora com a presença grega e cartaginense.

Em 333 a.C. os persas, sob o comando de Darius III, foram derrotados na batalha de Issus pelo grego-macedônio Alexandre, o Grande. Todas as cidades fenícias abriram suas portas ao imperador, com exceção de Tiro. Um ano depois, Alexandre ordenou a construção de uma espécie de píer ligando Tiro à costa. Ao final da construção da obra, o exército de Alexandre teve acesso aos muros da cidade, que foi completamente derrotada.

Sob o comando de Alexandre e seus sucessores, as cidades fenícias se viram incapazes de recuperar sua antiga posição comercial e política. Os gregos se alojaram em grande número no território e a língua fenícia foi desaparecendo aos poucos. O comércio, antes realizado pelos fenícios passou as mãos dos egípcios, gregos e cartaginenses. Era o início de um novo período marcado pela chegada de Roma à região.
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